Postagem em destaque

"Concreto"

Pedra, barro, massa     Mão, calo, amassa! Levanta parede  No ar  D a hora Que se levante! Mora dentro     F ora   Vi...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Infância e juventude em Marília

O quebra queixo na porta do Institutão
Cortado a espátula na fôrma do tabuleiro
O guarda de trânsito amigo das crianças
De ponte móvel nos dentes da frente
Porque tomou bolada
Que fazia esculturas com estilete
Na madeira de nossos lápis
Enquanto ficávamos nas classes
Ali dentro das grades
Por onde ele vinha conversar no recreio.

Recreio de lancheira,
Depois de sopa,
Mais tarde bala toffe,
Bala 7 Belo,
De guaranazinho Gatti

Num tempo mais antigo
Teve coreto
Muita banda
Procissão com anjinho
Quadro de pó de serra e de café
No asfalto da Santo Antônio

Quanta piscina,
Meu Deus!
Quanta gente!
Quanta mulher!
Quanto sol
Quanta chuva
Quanto nascer
E se por
Do Sol

Quanto frio nos invernos
De manhã indo prá escola
De noite
Festa Junina em fazendas
Ou ruas embandeiradas
Bambus, milho, grama
Pasto, café, capim
Névoa forte, rural ou urbana!

O bijuzeiro batendo a matraca
A gente com cinquenta centavos
Ou menos
Rodando a roda,
Sonhando com tirar o prêmio máximo
De 5!

Tubaína, suspiro amarelo, doce de batata roxa
Cristalizado por fora e mole dentro
Açucarado demais! Como os doces de leite.
E as maria-moles, branca pura, com côco,
Com côco queimado, com chocolate,
Quer dizer, imitação de chocolate.
As menores, tipo "teta de nega"!

Geléia de mocotó
Em barra molenga
Marrom
Ou bicolor
Metade branco
Metade cor-de-rosa

Bailinho no Bancários
Matinê com Transa Som
Do seu Feis Féres
Filhos e amigos

Bailinho dos Ferroviários
Promoção do Lázaro Bento
O Lazinho
Discotecagem de preto
E dança com pretas

Yarão, quantas tardes de sinuca
De ping pong, de basquete, vôlei
De natação, de paquera.
Pipoca na porta, com tanto molho de pimenta
Que virava papa vermelha
No saco de papel
Quase furando!

Carnaval com lança
Yarassus no Yara
Transa Som no Tênis
Carteirinha falsificada!
Viva a Fábrica de Carimbos
Do Mori
Que me iniciou, ou aprimorou?
No estelionato ingênuo
De pobre novo, criativo!

E porradinha: pinga com sodinha!
Pow e vira.
Sobe logo, fica grog.
Boca de "arco"!

E 515, e Tropical e Chaplin!
Três cervejas, um cigarro,
Casamento "de bico" no Tênis
Voltar para casa, a cama rodando
Vomitar no colchão, no cobertor,
No banheiro.
Deixar a mãe louca!
"Esse moleque é alcoólatra!"

Sonhar a moça mais bonita da classe,
A Cristina, a Andréia, a Helena,
A Jaqueline, a Luciana, a Lúcia
A Isabel, a Mara, a Ivana, a Viviane
A Andréa de mesmo nome, mas outra
Tantas eram
Tantas foram, tantas são!
Tão amadas
Que a cada "separação"
De conjunção inexistente
Eu pensava que morria.

Cristo Rei, cantina da Rosa.
Um risóli de carne, de palmito.
A minha primeira conta, finalmente com grana
De aula particular
Para pagar no fim do mês.
Caderneta como na Quitanda
Do seu Adati.
Como na Farmácia Noturna
Do seu Aldo Coneglian!
Como na "Empório Cruzeiro"
Na "Casa Armando"
Prateleiras imensas,
Escaninhos pequenos
Para a variedade
Secos, molhados e ferragens
Prateleiras de madeiras
Que o cupim do tempo roeu.

Itambé, sítio do Takana,
Lebiste bonito,
Todo tipo de peixe
Ornamental.
Oriental.

Uns fizeram banda.
Outros poesia
No jornal da escola
No Projeto Talento
No Linguajaratual!

Buzina de bucheiro,
Gritos do padeiro,
O "canto" do homem da pamonha
"Fresquinha de Piracicaba"
E do linguiceiro
"Fina, de Ibirarema"

"Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço...

Meu amor, eu acordei
Não tem ninguém ao lado!"

Churrasco na casa do Nego,
Churrasco na minha.
Quilos de carne,litros de cerveja.
E o bode!
Bicileta por tudo aquilo,
Fazenda Cascata, Nova Marília,
Matadouro, buração
Depois do Largo do Sapo.
Bebedouro de cavalo e charrete.
Linha do trem, estação.
Sorveteria na Nove de Julho,
Lanchonete do Pastorinho,
A chegada do ham e do x-burguer
(pra minha vó
em visita lá em casa
ou na casa dela em Santos
nas férias
por muito tempo foi "bife alemão")

Mas quanta esperança infantil
E juvenil.
Quantos anos, meu Deus,
Quanta gente, quantas ruas
Que me fogem os nomes!

O menino de Marília,
E o moço, que fui
Já se foram!

Andam lá meninos
Como eu
Andam lá moços
Como eu
Mas como eu não fui.
São outros
E vidas repetidas
Não se repetem.

Vivem
Em vãos
Momentos
Aqui.
E se dispersam.

Nenhum comentário: