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quarta-feira, 15 de maio de 2019

Déa

"Namoramos" (ela com 11 e eu com 12) da maneira mais pura que crianças dessa idade poderiam namorar.
Nem sequer uma sessão de cinema, eu pensei!
Sim, teria havido uma matinê, agora me lembrei.
Cine Peduti, 1976 teria sido. Manhãs dominicais frescas de Abril?
Até imagino um filme de primeiros amores entre meninos de nossa idade, não sei se na França ou Inglaterra.
Romances como o nosso.
Não teria sido primeiro amor (para mim que já tinha arrrastado caminhões de abóbora pela outra Andréia e pela Cristina).
Mas era a primeira namorada.
Agora lembro que o Zé Horácio, com quem fomos em duplinhas de casais, se atracou aos beijos com a namorada dele de então (Taís?), uma menina que era irmã de outra (seu nome me foge), filhas de um caminhoneiro dali de perto dos Pavão.
Talvez eu tenha passado a mão sobre seu ombro.
Mas a timidez me impediu de beijar aquela boca bonita.
Ficaram em mim aquelas frases do Abel Silva na música de Suely Costa:
"Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei"...
Oras, eu tinha só 12 anos.
(Ora bolas, ainda tenho só 12 anos).
Mas reencontrá-la foi um não reencontro, sob muitos aspectos.
Seus últimos trinta anos tem pouco a ver com nossa cidade natal e com as vivências comuns.
Ela devotou muito aos três filhos, dois casamentos, duas empresas, uma vida paulistana.
Os pais nem moravam mais em Marília.
Fica então uma saudade de algo que não conheci, uma nostalgia do que não vi.
E a vida correndo pra onde?
Espero que todos sejamos abençoados com mais amores, mais cores, mais flores, mais vinhos frutados de Bordeaux, do rosé ao tinto profundo (saí da Zahil munido de 3 boas garrafas, uma libanesa, uma brasileira e uma torrontésinho que tanto afaga minha sede de lembranças portenhas).
La vita é bella.