Hoje meu filho mais novo, o Gil, faz 14 anos.
Há três anos atrás foi a vez do mais velho, Ariel, atingir essa marca.
Em 1978 foi a minha vez.
Para nós, naquele tempo, 14 eram uma espécie de "pré-18".
18 vinha com o grande pacote de ver filme de mulher pelada (e olha que praticamente nem existia o "nu frontal" no tempo da ditadura...), dirigir um carro e ir a inferninhos. Votar não era um desejo para um pseudo-arenista como eu.
14 já tinha lá suas vantagens. Ir a bailes no Yara, no Tênis ou nos Bancários, ver alguns filmes "mais fortes", entrar, ou chegar perto, do mundo do "Colegial", deixando para trás o "Ginásio". Lembro que, apesar de não ter festa, para mim foi um dia "importante". Passei na casa do meu primo Nego, ele me parabenizou e conversamos. Depois saí meio que correndo pela rua, pois algo grandioso e indefinido me esperava no futuro daquela nova fase.
Meus dois filhos são muito diferentes, seja um do outro, seja de mim. Somos parecidos num ponto: acho que nenhum deles "gosta" de mim, assim como eu "não gostava" do meu pai. Eles, como eu, são "parricidas" essenciais! Dou graças a Deus que eles "me matem"; ia ser um tédio que a nova geração buscasse repetir o que fiz, o que fizemos.
Não sei o que esperar de meus filhos. Nem eles de si mesmos. Mas sei que o novo sempre vem.
Cuido deles ainda com carinho. Vivo lembrando fatos (impossíveis de eles se lembrarem) de como eu os botava no colo e ficávamos tomando banho juntos, a cabecinha de um deles encostada ao meu peito, fosse no calor morno do chuveiro ou no frio de uma correnteza dos riachos a que eu os levava em Cajati.
E os preparo para deixarem o ninho.
Não sei para onde eles vão, que rumo vão tomar.
Mas acredito que estou formando dois bons cidadãos, duas pessoas de fibra, que serão capazes de amar, de se associar, de ir atrás de um projeto, de fundar alguma coisa sobre um trabalho duro.
Não vou ficar aqui pela eternidade. Muito provavelmente vou partir antes deles.
Penso com saudade e sem tristezas na infância deles que se encerra.
E me abro para a juventude, que avança, e a maturidade deles, que se aproxima!
Parabéns, meu filho Gil!
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