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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A morte do Pai dos Chuff's

Ontem Dois Córregos deixou de ter, nesse plano, um de seus filhos mais ilustres e respeitados. Faleceu ontem, Germano Salvadeu. Embora relativamente inativo há alguns meses, aos 91 anos, Germano Salvadeu era uma pessoa lúcida. Conversar com ele era, além de um grande prazer, ter a oportunidade de conhecer parte importante da história de Dois Córregos.
Germano Salvadeu estudou no então Grupo Escolar Francisco Simões, a mais antiga escola pública de Dois Córregos, quando aquele estabelecimento de ensino ainda tinha poucos anos de existência. Os tempos eram outros e, para formar-se, teve de seguir, primeiro, para Araraquara, onde estudou no Ginásio Sírio Brasileiro. Depois, para Campinas, no Liceu Saleziano Nossa Senhora Auxiliadora, tendo, finalmente, se formado Contador.
Foi escriturário da Companhia Paulista de Estradas de Ferro e coletor da Secretaria Estadual da Fazenda, quando foi trabalhar em Jaboticabal. Mas deixou dessas profissões, porque seu desejo era dar continuidade à atividade comercial exercida por seu pai, Pedro Salvadeu. Seu lugar de viver era Dois Córregos.
Ao longo de toda sua existência, atuou como comerciante na Casa Salvadeu, assumida por seu pai no dia 1º de maio de 1923.
Em 1930, o comerciante Pedro Salvadeu, pai de Germano, mandou erguer o prédio onde até hoje funciona a Casa Salvadeu, na esquina da rua 15 de Novembro com a avenida D. Pedro I, prédio em cujo pavimento superior está a sede deste jornal. Para os padrões da época, um prédio arrojado, apenas com laje, desprovido de telhado e com sanitários internos, o que não era recomendável, inclusive pela vigilância sanitária.
Germano Salvadeu sempre foi um católico fervoroso. Nessa condição, se converteu num dos fundadores da Congregação Mariana em Dois Córregos, tendo, inclusive, presidido a instituição. Seu trabalho teve contribuição importante na construção do imponente prédio da Sede Mariana, recém-reformado pela Comunidade Católica da Paróquia do Divino Espírito Santo.
Vicentino da Conferência de São Benedito, sempre desenvolveu trabalho silencioso, mas muito significativo em favor das pessoas menos favorecidas da cidade. Sobretudo numa época em que Dois Córregos não contava com a ampla quantidade de entidades e instituições que possui atualmente. Os necessitados eram ajudados em casa, por voluntários.
Foi vereador por dois mandatos e meio. Casou-se em 1954 com Dayce Chuff Salvadeu, união que lhe deu os filhos Pedro, Paulo de Tarso e Luiz, mais dois netos. Ao longo de todo esse tempo, esteve à frente da Casa Salvadeu, cujo comando, em função da idade, passou para o filho Luiz há poucos anos. Mesmo assim, continuava, quase que diariamente, vindo à loja e auxiliando nos trabalhos burocráticos.
Pessoa culta, mas simples, gostava de falar do passado e contar fatos corriqueiros que fizeram a história de Dois Córregos. Com a idade que atingiu, conseguiu viver as muitas transformações pelas quais a cidade passou. Inclusive a necessária modernização e implantação de controle eletrônico da sua antiga Livraria e Papelaria Salvadeu. Sua morte deixa, sem dúvidas, uma lacuna que não tem como ser preenchida.
O tempo é inexorável. Aos poucos, vai levando as personagens importantes na construção da Dois Córregos de hoje. Há não muito tempo, a cidade despediu-se de Clineu Alves de Lima. Pouco depois, do médico Hílton de Natal Magalhães. Isso para citar apenas dois nomes de pessoas que tiveram grande relevância e participação efetiva na história de Dois Córregos. Agora, despede-se de Germano Salvadeu. Sem demérito para os que ficam, a cidade está um pouco mais pobre nos planos cultural e histórico, com a perda de mais esse seu filho ilustre.

Jornal Independente
Matéria da edição nº 618 do dia 17/05/2008

(PS do autor desse blog: Conheci o seu Germano em suas visitas à nossa república. Sinto muito. Mando as condolências atrasadas, mas amigas e profundas ao Paulo e ao Luiz (e demais familiares que não me recordo de ter conhecido).)

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