Agora em Ouro Preto, ex Vila Rica...
Tomar cerveja e pinga locais e sofisticadas em bares chiques, fumar um cigarrinho, bater perna no sobe e desce ladeira no piso irregular dos "pés de moleques" dos leitos carroçáveis das ruas, algumas de inclinação impensável, Barroco & Barraco, mijar atrás do cemiteriozinho com portão de caveirinhas atrás da igreja com um lindo som de carrilhão na hora da Ave Maria, um pão de queijo com 50% de queijo canastra, esperar tudo isso acontecer, 29 anos após ter vindo e namorado, cansar, banhar, amar, jantar salada e filé alto e vermelho por dentro com molho grosso de pimenta verde e batatas coradas e couve, dormir como um anjo!
Sonhar problemas (um assalto) com o irmão e sobrinhos e, acordando, revelar que era só um pesadelo!
No dia seguinte se embrenhar no fundo da Mina da Passagem e bater perna em Mariana.
A vida é, por enquanto, maior que a morte.
Diário Esporádico: escrito por ROBERTO CORRÊA DE CERQUEIRA CÉSAR, um engenheiro escritor, taurino, pai de dois meninos (por quanto tempo ainda?), com cabelo embranquecendo e caindo, ficando cada dia mais cego!
Postagem em destaque
"Concreto"
Pedra, barro, massa Mão, calo, amassa! Levanta parede No ar D a hora Que se levante! Mora dentro F ora Vi...
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Alvorada festiva
5 horas de uma manhã de segunda feira, último dia de setembro de 2013, vendo o dia nascer na frente da igreja de São Francisco e do pólo de engenharia da universidade federal de São Joâo del Rei...
Escuto a varrição de um gari e pássaros que se apresentam com as primeiras luzes.
O tempo perde sentido. Não importa mais que horas são. Fico ali parado, prestando atenção em tudo e em nada, como criança absorta.
As vozes, os galos, pernilongos, motores e trepidações de rodas nos parelelepípedos.
E sobretudo os pássaros! Psitacídeos mis; chilreios, pios e uns quase grasnados. E, de repente, uma badalada solitária e tímida. Seriam 5 e 15 ou 5 e meia?
Finalmente converso com as coisas, agora amigas. Para além de São Francisco de Assis que conversava com animais ou os sermões de Santo Antônio de Pádua e de Lisbôa aos peixes.
Agora eu era Zen. Zen nada na cabeça! Apenas uma dissolução do eu nas coisas daquela hora e lugar.
Um bentevi precipitou o vôo de um bando de maritacas ou outro papagaiozinho. Eu escrevia numa escrivaninha que invejava, apesar da machetaria grosseirona. Aquela dúzia ou mais de gavetinhas em arco, nichos abertos ou com portinhas, onde eu organizasse minhas coleções de inutilidades e uma ou outra necessidade. Uma chave, que nunca seria usada, para trancar o tampo de trabalho, que uma vez aberto se apoia em dois suportes retráteis.
A vida era essa escrivaninha da alma...
Escuto a varrição de um gari e pássaros que se apresentam com as primeiras luzes.
O tempo perde sentido. Não importa mais que horas são. Fico ali parado, prestando atenção em tudo e em nada, como criança absorta.
As vozes, os galos, pernilongos, motores e trepidações de rodas nos parelelepípedos.
E sobretudo os pássaros! Psitacídeos mis; chilreios, pios e uns quase grasnados. E, de repente, uma badalada solitária e tímida. Seriam 5 e 15 ou 5 e meia?
Finalmente converso com as coisas, agora amigas. Para além de São Francisco de Assis que conversava com animais ou os sermões de Santo Antônio de Pádua e de Lisbôa aos peixes.
Agora eu era Zen. Zen nada na cabeça! Apenas uma dissolução do eu nas coisas daquela hora e lugar.
Um bentevi precipitou o vôo de um bando de maritacas ou outro papagaiozinho. Eu escrevia numa escrivaninha que invejava, apesar da machetaria grosseirona. Aquela dúzia ou mais de gavetinhas em arco, nichos abertos ou com portinhas, onde eu organizasse minhas coleções de inutilidades e uma ou outra necessidade. Uma chave, que nunca seria usada, para trancar o tampo de trabalho, que uma vez aberto se apoia em dois suportes retráteis.
A vida era essa escrivaninha da alma...
sábado, 28 de setembro de 2013
Trens bons
Papo profundo em inglês com o Gregory Sommers ou só de jogar conversa fora com todos em bom português.
Pinga, fumo, estanho, ouro e prata na medida, sem febre.
Ora pro nóbis, muié, arroz com feijão e angu, porco, queijo, bicho de pé, dar risadas. Traíra sem espinho, Rio Grande, cerveja gelada à mancheia, Milton Nascimento, cama de lindos lençóis brancos, sono solto.
Bater perna, suar, escutar música e ver todas formas de arte e artesanato, andar de Maria Fumaça e ainda de graça (santo crachá da Vale!). Sou grato ao meu empregador!
Ver igrejas e casas velhas, andar de carro novo, água gelada no calor, sorvete de picolé de fruta, coca cola de garrafa de vidro, trabalhar, produzir, fazer o bem sem se importar a quem, a si e aos demais, banho bom e roupa limpa.
Ler, ligar para os filhos que amadurecem. Dinheiro suficiente prá tudo isso aí.
Férias em Minas...dormir no frio de Extrema e pegar no mesmo sábado o calor árido de São João Del Rei e Tiradentes.
Respirar, comer e se aliviar, viver!
Pinga, fumo, estanho, ouro e prata na medida, sem febre.
Ora pro nóbis, muié, arroz com feijão e angu, porco, queijo, bicho de pé, dar risadas. Traíra sem espinho, Rio Grande, cerveja gelada à mancheia, Milton Nascimento, cama de lindos lençóis brancos, sono solto.
Bater perna, suar, escutar música e ver todas formas de arte e artesanato, andar de Maria Fumaça e ainda de graça (santo crachá da Vale!). Sou grato ao meu empregador!
Ver igrejas e casas velhas, andar de carro novo, água gelada no calor, sorvete de picolé de fruta, coca cola de garrafa de vidro, trabalhar, produzir, fazer o bem sem se importar a quem, a si e aos demais, banho bom e roupa limpa.
Ler, ligar para os filhos que amadurecem. Dinheiro suficiente prá tudo isso aí.
Férias em Minas...dormir no frio de Extrema e pegar no mesmo sábado o calor árido de São João Del Rei e Tiradentes.
Respirar, comer e se aliviar, viver!
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Manhã Primaveril
Tenho andado aborrecido
Chateado e triste
Mas essa manhã fria
Clara e azul
Calou a boca
Das minhas mágoas
Como se amofinar
Sob essa luz
Nesse ar fino
Com esses verdes
E debaixo desse céu?
Não!
A vida é mais!
Ela nos castiga sempre um pouco
Sim!
Mas também provê ferramentas
Que adoçam o labor!
Chateado e triste
Mas essa manhã fria
Clara e azul
Calou a boca
Das minhas mágoas
Como se amofinar
Sob essa luz
Nesse ar fino
Com esses verdes
E debaixo desse céu?
Não!
A vida é mais!
Ela nos castiga sempre um pouco
Sim!
Mas também provê ferramentas
Que adoçam o labor!
Vento
Ar em movimento
Frisa a superfície encapelada
Da represa raiada
Balança o topo
Da embaúba
Agita de leve
Folhas das copas
Da biodiversa flora
Leva prá longe
As nuvens escuras
Que cobriam
Minha mente e coração.
Frisa a superfície encapelada
Da represa raiada
Balança o topo
Da embaúba
Agita de leve
Folhas das copas
Da biodiversa flora
Leva prá longe
As nuvens escuras
Que cobriam
Minha mente e coração.
Antes de dormir
Na cama, no escuro
A mulher ressoa
E pela casa os meninos
Ainda se agitam
Repasso o mês e tanto
Aturdido que passei
Percebo
Que me aceitar
Imperfeito
Sem cair na auto indulgência
É a chave do segredo
Que cortará os grilhões
Dessa baixa auto estima!
A mulher ressoa
E pela casa os meninos
Ainda se agitam
Repasso o mês e tanto
Aturdido que passei
Percebo
Que me aceitar
Imperfeito
Sem cair na auto indulgência
É a chave do segredo
Que cortará os grilhões
Dessa baixa auto estima!
domingo, 22 de setembro de 2013
Os homens revisitados
Sei que era de 1930, pois o menorzinho era de 32, e eu sabia que a diferença era mais ou menos essa.
Por algumas questões, a principal devendo ter sido a morte prematura da mãe deles, a infância dos irmãos era uma tremenda ausência de informações. Talvez o menor fosse mais marcado ainda pela morte da mãe, mas esses danos nunca se sabe bem a extensão para cada indivíduo.
Havia duas fotos dos dois: uma que mostraram contando da surra que levaram no dia da foto; atrasaram uma entrega de café do pai deles. Outra me contaram; eles eram mais crescidinhos, mas ainda com 11 e 13 suponho, e juravam amizade eterna. Fazenda, Gonçalves Dias, Nelson Spielman, pouco se sabia de suas casas, de seus natais e aniversários, da relação com irmãos e primos, com a cidade.
O pai com aquelas criancinhas não teria se virado bem? Outros tempos.
A irmã do pai veio de São Paulo, viúva que deixaria a filha única e novinha a ser cuidada pelos tios e tias, gregários, um sacrifício implicava outros. Assim eles tiveram uma mãe emprestada, o que não era pouco. Tinham também a vó deles que entrara em anos e precisava de ajuda.
O certo é que cresceram de maneira quase totalmente incógnita. Será que tinham estudado com o Monsenhor Bicudo?
Sonharam em fazer faculdade, eram bons alunos?
Que colégios frequentaram: o Thomaz Antônio Gonzaga, ex-Primeiro Grupo?
O Carlota?
Tudo eram brumas: uma história ou outra do Kai Kan, do Clube dos Alfaiates, algum footing namorador, algum carnaval de excessos...
Daí a depois, vai que na minha infância os conheci. Mas uma criança nunca chega a conhecer os adultos. Só depois, por reflexão ou convivência mais apurada, talvez crie deles um perfil psicológico mais ou menos consistente com palavras, atos, histórias, etc.
O mais novo foi para mim um mistério que não desvendei. Passei anos sonhando a volta dele. Psicanalistas dizem que isso ocorre muito com quem não assiste as exéquias. Fica com a morte "incompleta", a ideia da morte do pai não se cristaliza. Bem, muito depois até cheguei a "ver" meu pai no banco detrás do meu carro, mas de certa forma, finalmente, me abençoando.
E se a infância e juventude deles era quase totalmente incógnita, a juventude e os anos de maturidade física também o eram, em menor grau, mas o eram.
Aí lembro as festas e as fotos das nossas infâncias e juventudes.
Tínhamos ele pelo grande desencanado. Sem grandes filiações ideológicas, sem tomar partidos radicais, mas sem a violência típica dos irmãos, a vontade de poder. Sentíamos que ele era mais livre, distante dos conflitos da ditadura, da rigidez direitista do ambiente. Mas repito: convivência pouca. Encontros esporádicos como esse diário. Como sabê-lo?
E fazedor. De alguma arte árabe ou cigana ele sempre se virara e bem. Onde aprendera? Com o sócio dileto? Ou vinha do sangue daqueles antepassados bascos, andaluzes ou da terrinha? Tinham nos trazido e legado nos sangues do norte da Europa e do norte da África, de toda penínsulas mediterrâneas e daquelas andanças de quase quinhentos anos pelo lado de cá do charco atlântico? Ou eram coisas apreendidas por andanças nessa América do Sul caipira de São Paulos, Mato Grossos, Minas e Goyazes?
Os mistérios agora repousam em paz, eu tento decretar.
Bem, prima, é tarde. Segunda me secunda. Terça espera a quarta das quintas para finalmente sexta me libertar por duas semanas dos grilhões do trampo cubatense.
A irmã em breve vai ver vocês, tenho fé que a inocência dela será compartilhada, mesmo que em migalhas, comigo.
E a ferida vai secando.
Entre outras coisas, a vida é lamber uma e outras.
Por algumas questões, a principal devendo ter sido a morte prematura da mãe deles, a infância dos irmãos era uma tremenda ausência de informações. Talvez o menor fosse mais marcado ainda pela morte da mãe, mas esses danos nunca se sabe bem a extensão para cada indivíduo.
Havia duas fotos dos dois: uma que mostraram contando da surra que levaram no dia da foto; atrasaram uma entrega de café do pai deles. Outra me contaram; eles eram mais crescidinhos, mas ainda com 11 e 13 suponho, e juravam amizade eterna. Fazenda, Gonçalves Dias, Nelson Spielman, pouco se sabia de suas casas, de seus natais e aniversários, da relação com irmãos e primos, com a cidade.
O pai com aquelas criancinhas não teria se virado bem? Outros tempos.
A irmã do pai veio de São Paulo, viúva que deixaria a filha única e novinha a ser cuidada pelos tios e tias, gregários, um sacrifício implicava outros. Assim eles tiveram uma mãe emprestada, o que não era pouco. Tinham também a vó deles que entrara em anos e precisava de ajuda.
O certo é que cresceram de maneira quase totalmente incógnita. Será que tinham estudado com o Monsenhor Bicudo?
Sonharam em fazer faculdade, eram bons alunos?
Que colégios frequentaram: o Thomaz Antônio Gonzaga, ex-Primeiro Grupo?
O Carlota?
Tudo eram brumas: uma história ou outra do Kai Kan, do Clube dos Alfaiates, algum footing namorador, algum carnaval de excessos...
Daí a depois, vai que na minha infância os conheci. Mas uma criança nunca chega a conhecer os adultos. Só depois, por reflexão ou convivência mais apurada, talvez crie deles um perfil psicológico mais ou menos consistente com palavras, atos, histórias, etc.
O mais novo foi para mim um mistério que não desvendei. Passei anos sonhando a volta dele. Psicanalistas dizem que isso ocorre muito com quem não assiste as exéquias. Fica com a morte "incompleta", a ideia da morte do pai não se cristaliza. Bem, muito depois até cheguei a "ver" meu pai no banco detrás do meu carro, mas de certa forma, finalmente, me abençoando.
E se a infância e juventude deles era quase totalmente incógnita, a juventude e os anos de maturidade física também o eram, em menor grau, mas o eram.
Aí lembro as festas e as fotos das nossas infâncias e juventudes.
Tínhamos ele pelo grande desencanado. Sem grandes filiações ideológicas, sem tomar partidos radicais, mas sem a violência típica dos irmãos, a vontade de poder. Sentíamos que ele era mais livre, distante dos conflitos da ditadura, da rigidez direitista do ambiente. Mas repito: convivência pouca. Encontros esporádicos como esse diário. Como sabê-lo?
E fazedor. De alguma arte árabe ou cigana ele sempre se virara e bem. Onde aprendera? Com o sócio dileto? Ou vinha do sangue daqueles antepassados bascos, andaluzes ou da terrinha? Tinham nos trazido e legado nos sangues do norte da Europa e do norte da África, de toda penínsulas mediterrâneas e daquelas andanças de quase quinhentos anos pelo lado de cá do charco atlântico? Ou eram coisas apreendidas por andanças nessa América do Sul caipira de São Paulos, Mato Grossos, Minas e Goyazes?
Os mistérios agora repousam em paz, eu tento decretar.
Bem, prima, é tarde. Segunda me secunda. Terça espera a quarta das quintas para finalmente sexta me libertar por duas semanas dos grilhões do trampo cubatense.
A irmã em breve vai ver vocês, tenho fé que a inocência dela será compartilhada, mesmo que em migalhas, comigo.
E a ferida vai secando.
Entre outras coisas, a vida é lamber uma e outras.
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