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"Concreto"

Pedra, barro, massa     Mão, calo, amassa! Levanta parede  No ar  D a hora Que se levante! Mora dentro     F ora   Vi...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Câncer de mama e tumor de pança

Minha tia peituda e meu amigo barrigudo fizeram operações quase simultaneamente.
Ela em Jundiaí e ele aqui no Nove de Julho.
Ambos passam bem, aparentemente ambos curados.
Deus sabe o quanto temi por seus corações parando e os deixando nas mãos, nos roubando os dias ainda por curtir...
Temo as anestesias gerais e os cortes profundos, que nos tiram as dores e nos arrancam os males, mas são arriscados.
A tia sofreu e sofrerá mais, aparentemente, pois tirou um seio, pôs enxerto de músculo das costas, fará quimio e talvez radioterapias e ainda terá que acertar a plástica dos seios (diminuir o farto restante e botar prótese no amputado).
O amigo, antes do anatomo-patológico, só precisou de uma videolaparoscopia e precisará de uns antibióticos, mas menos traumas.
Não somos eternos, mas quero que eles vivam cem anos e eu cem anos menos um dia para não ter que enterrar tantas pessoas queridas!
Viver é também suceder nossos antecessores.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Katyn

Fui ver esse filme do Andrej Wajda.
Grande cinema!
Mas os temas, ódio ao nazismo e ao stalinismo, ainda doem.
E os nacionalismos (no caso o polonês) emprensados no meio não são necessariamente melhores, também são ódios (aos judeus, aos "negros" de todas espécie, etc).
Precisamos de menos "ismos" e mais fraternidade.

Mães

A do Sérgião avecezou como o pai da Eduarda, que virou vegetal.
A do Guto cancerou: rezamos por ela. A da Sandra cuida do tio demente.
Esquecer é pior que lembrar!
A mãe da Kátia queria poder se achegar, mas tagarela e some. A da Ismênia ia vir e passou direto: não a vi. A do Gui, sempre atarefada, busca fogo para uma paz remota.
A do Gabriel, também é azougue e a dos meus filhos trabalha e tem pouco tempo para se divertir, quando não enxaqueca.
As mães são mansões de afeto e neuroses, são o refúgio certo do qual fugimos, tão fechadas as janelas dessas mansões. Às vezes às mães faltam os ares que eles insistem em roubar dos filhos, tão protetoras.
A minha mãe é louca, mas é massa.
Cuido dela quando posso.
Quero dar a ela um apezinho, sem mais jardins, salões ou muito entra e sai.
A minha mãe é velha, septuagenária. Deve querer ficar quieta.
Todo velho gosta de esperar sossegado a maldita das gentes!

Vésperas de Aniversário

Apesar de pouco supersticioso, sigo o horóscopo do Quiroga, do Estadão.
Ele e os demais astrólogos dizem que os dias que antecedem nosso aniversário são momentos de transição, melhor encerrar antigos assuntos que iniciar novas batalhas, coisas assim.
E assim me sinto.
Muitas coisas se quebraram dentro de mim e agora colo os pedaços, rejunto os ladrilhos e azulejos, calafeto trinchas e rachaduras, pinto, repinto, reforço alicerces solapados.
Abril se abre pelos seus meados.
Passou a Páscoa, como tinham passados Natais, Anos Novos, Férias e Carnavais.
2009 se adianta, amadurece, outoneia para invernar.
O Oeste me chama já (faz mais de um ano que não revejo Marília...).
Mas esse Leste paulistano me acolhe como um útero.
Em breve renascerei!

sábado, 4 de abril de 2009

Leite derramado

Sobre o novo livro do Chico e sobre mim.
Não choremos!
Pois meus: filhos, mulher, paisagens, dias, ações,
Sonhos, estares, fazeres e desfazeres,
Prazeres e desgostos,
Tudo de mim só a mim pertence.
Todos querem ser lôngevos.
Longos avós.
Mas nem todos vivem muito, nem sempre se vive bem.
A vida é mistério profundo, luta insana por vezes.
Nada importa, só o amor.
Nem o amor.
Mais e menos.
Tudo, unidade do desconexo.
Spinoza sopra algo.

terça-feira, 17 de março de 2009

Palavra

Cantada ou encantada, dita ou bendita,
Áspera ou carinhosa, lenitivo ou punhal!

Na falta do sentido de existir
Ficamos atentos às possibilidades de felicidade
Do momento
Falando, escutando

Tentamos decifrar o mistério
Do mundo

segunda-feira, 9 de março de 2009

Carta ao amigo do Marrocos

Rogério,

Estava para te escrever faz tempo, contanto da minha vidinha. Tenho tido tempo, mas esqueço um pouco do Marrocos por reação.

Cozinho, cuido da casa, dos meninos e da mulher, das burocracias típicas de um desempregado (um pouco especial: se eu fosse demitido tinha mais o que fazer, mas oficialmente me demiti, com isso eliminei o seguro desemprego), mas sobra tempo... Leio muito: dois jornais e internet todo dia, revistas, Sócrates e Wilhelm Reich ("análise do caráter", profundo e pesado, mas ajuda na psicoterapia que estou fazendo: só sei que nada sei e conhece-te a ti mesmo). De noite tv: jornais nacionais e BBB10, só para ser igual a milhões de brasileiros. Mas não vejo novela: nem Caminho da Índias nem Negócio da China...Supermercado, detran, Bradesco saúde e agora Sul América (é amigo, saí do quentinho da tia Bunge), cooperativa de crédito, Bradesco, Caixa e Mapfre, Bunge Prev, Price (isso vai levar um ano, só acerta no IR do ano que vem). Cinema sempre que dá, amanhã cedo deve dar show de MPB (Dia da Mulher! no Ibirapuera, só moça bonita e afinada! Mariana Aydar, Verônica Ferriani e por aí).

Semana que vem começo a fazer as primeiras entrevistas de emprego, já terei duas!

Como não quero sair de São Paulo, talvez eu saia dos fosfatos. Fábrica de artigos esportivos, peças de borracha para carros, mas tem química e engenharia também (Promon=Fosfértil: a ver).

Em São Paulo (na maior parte do Brasil) recordes de calor, grandes chuvas, o normal do verão, do fim do verão. Amanhã minha sogra faz setenta e teremos festa aqui (bacalhoada, pavê, trabalho com prazer). No fim de semana passado casa da minha mãe em Campinas: irmãos, piscina e churrasqueira no jardim. Massa real, lavo a alma cada dia.

Mudar sai caro: perdi grana, perdi trampo. Mas o caminho deixado estava indo na direção errada: todo vento é contrário para quem não sabe onde vai.

Agora sei: meu lugar é junto dos meus.

Siga firme e espero te encontrar em breve.

E "a demain que eu vou em frente!"

Roberto