Meti a Vale no pau.
Pedi peri e recebi hora de almoço.
A Vale vendeu.
A Yara que pague.
Vou pegar meus 70% e viajar.
Voltar à Liège, El Jadida, Lakeland, Cajati, Catalão, Cubatão, me meter em João Pessoa e Natal, em Manaus, e Rio Branco, em Macapá, quiçá, em Palmas e no Jalapão, talvez na Campos Belos do Marten. Bonita e Cuiabá, CampoGrande e Cáceres. Porto Velho e Boa Vista.
Um dinheiro pré aposentadoria.
Aos pés do fim da vida.
Terceira idade.
55 esse sábado.
Aproveitar enquanto o dente não cai, o cabelo não cai e o pinto não cai. A mente. O físico.
Aproveitar enquanto respiro, ando, durmo até que bem.
Enquanto não sou pobre, um vagabundo feliz, envelhescente.
Vai vida ser gauche.
Vai Raimundo que é rima pobre de mundo.
Vai Ramalho que é rima do baralho.
Vai Roberto, não te quero perto, digo, vai.
Como falou o Waly Salomão, perambula.
É teu único talento.
Vai ser peripatético.
Vai arrastar tua corrente antes que a bruma seja carne e o esquecimento o legado.
Silêncio mineral.
Não me queime nessa Vila Alpina.
Me enterrem na beira de um rio, talvez num campo santo como aquele de Savannah.
Deixem os micro e macróbios roerem e putrefarem essa carcaça que então já não será minha nem fará falta.
Quero os fantasminhas camaradas ao lado.
Se tiver, que venham espíritos de luz, alegres e inteligentes.
Por que de gente chata já basta nessa Terra de meu Deus do ateu.
Daqui prá frente o jogo já passou dos 45.
É tudo acréscimo.
Vamos jogandinho.
Quem sabe sai um golzeto para alegrar.
Mas nem precisa.
Gosto da partida.