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"Concreto"

Pedra, barro, massa     Mão, calo, amassa! Levanta parede  No ar  D a hora Que se levante! Mora dentro     F ora   Vi...

sábado, 31 de maio de 2014

M.O.R.T.E.

Quero
Estar
Pronto

Mas não
Parar
Para
Te esperar

Me leve
Talvez bem senil
Como a uma
Aroreia

Que tomba
Mas não
Verga

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Bolão da Copa: Brasil versus Croácia

Meu prognóstico: 3 a 1, para esquentar os motores contra o México!

Estou no centro do mundo

Itaim do Bibi de São Paulo me sabe hoje como o Cambuí de Campinas, o Jardim Granipavi de Cajati, Al Qods de El Jadida e o Centro de Marília já me souberam.
Sei que hoje o mundo tem muitos centros.
Aqui é o meu!

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Ódio Chapa Branca, de Gregório Duvivier hoje na Folha de São Paulo

A última coluna que escrevi falava sobre a falta de opções do eleitor carioca: todos os principais candidatos ao governo do Estado estão sendo julgados por crimes de corrupção. Muita gente me escreveu dizendo que o "Brasil não tem jeito" e que também está louco para sair daqui. Queria escrever pra essas pessoas e dizer que eu não pretendo sair daqui tão cedo.
A democracia, entre muitos presentes, nos deu este: a gente pode falar mal do Brasil à vontade. Já faz quase 30 anos que a gente pode. Mas parece que a gente só faz isso da vida.
A melhor maneira de não incomodar ninguém é falar mal de todo o mundo. Se eu disser que todos os políticos são corruptos, todo o mundo adora -inclusive, e principalmente, os corruptos, que estão sendo colocados no mesmo saco dos honestos. O discurso do "ninguém presta" parece o discurso mais corajoso do mundo, mas é o mais chapa-branca.
Ninguém se cansa de repetir: "o Brasil não tem jeito", "a corrupção no Brasil é endêmica", "brasileiro não aprende", "o problema do Brasil é o brasileiro". Tudo isso é dito, claro, por brasileiros. Repare que não dizemos: nosso problema somos nós mesmos. Não. O problema do Brasil são os outros, diria Sartre, se fizesse vlogs.
Nunca vi alguém dizer: o problema do Brasil sou eu, que como carne, ando de carro, não reciclo o meu lixo, recebo dinheiro como pessoa jurídica e não lembro em quem votei pra vereador. A culpa é minha, pessoal. Em minha defesa, estou tentando mudar.
Outro dia um autoproclamado filósofo brasileiro que mora nos EUA vociferou: "O povo brasileiro é o povo mais covarde, imbecil e subserviente do universo". E muita gente (brasileira) aplaudiu, provando que talvez ele estivesse certo -mas única e exclusivamente em relação aos seus leitores. Não sei qual é a solução para os nossos problemas, mas se mudar pra Veneza ou pra Virginia certamente não é.
Quantas vezes você já não ouviu a frase: "É por isso que o Brasil não vai pra frente"? Independentemente da razão do nosso atraso, essa frase é uma mentira. Mesmo o crítico mais contumaz do governo (governo este do qual não sou eleitor nem fã) há de concordar que o Brasil vai pra frente, sim. Devagar, aos trancos e barrancos, algumas vezes à revelia do governo -mas vai pra frente. Em contrapartida, nossos intelectuais estão ficando pra trás.

domingo, 25 de maio de 2014

"País compacto" de Valter Hugo Mãe, hoje no "Aliás" do Estadão

São Paulo é um país compacto. Os edifícios acumulam-se como se precisassem de garantir segurarem-se uns nos outros com um braço esticado. As ruas ficam irregulares, serpentes emaranhadas no dorso das quais gente e automóveis passam num equilíbrio esperto. São Paulo é para espertos. As serpentes são tão sedutoras quanto terminais, e há uma língua bífida procurando alimento incansável. Atarefada. Adoro a portuguesa língua bífida do Brasil. Isso de ser lusa e índia, de ser paisagem campestre e construção. O português do Brasil é uma babélica solução de sucesso. Os taxistas perguntam-me como fui arrumar de falar tão bonito. Digo que estou num outro Portugal. Um senhor respondeu-me que São Paulo não é nada, nem Portugal nem Brasil. É um problema sozinho. E eu perguntei se não seria uma solução sozinha. Ele achou que sim. Só por existir solução se podia formular o problema. Rimos. Umas moças passavam para o caríssimo shopping Iguatemi. Estavam de pernas abundantes à mostra. Ele comentou: perninha de asfalto, trabalhada meticulosamente a salto alto. As melhores pernas do mundo. Rimos. A nova garota da nova Ipanema. Sem praia. Só praça e avenida. Um amor em cada segundo. Todos os homens são candidatos. Achei demasiado generoso. Mas quero acreditar.
Pode levar anos a criar conforto. Quando o código bem encriptado da metrópole começa a ser quebrado, São Paulo é uma força bruta, uma central eléctrica que opera no coração. Ficamos com o coração predial, quer dizer, feito de assoalhadas, andares, janelas e terraços, vistas, esconsos de subir e descer, vãos, síndicos que dizem sim, sorriem. Montes de gente. Ficamos com montes de gente no coração. Como um verdadeiro condomínio.
O coração arranha os céus. É verdade que em cidade gigante o coração também sabe crescer. Ele pode bem arranhar os céus.
Domingo cedo, o minhocão voador está fechado ao trânsito, a folia da saúde põe gente a correr, andando, passeando os cachorros, paquerando num certo flagrante descomplicado. Num país compacto não dá para complicar o desnecessário. As pessoas ficam satisfeitas com a normalidade. Tudo o resto é pura liberdade de expressão e íntima procura da felicidade. Gostamos todos de olhar e ser olhados. No minhocão, domingo de manhã, não há gente feia. Somos todos desportistas e lindos. Passamos lindos ao nível do segundo ou terceiro piso dos prédios. Somos tão exuberantes quanto copas de árvores. Poderíamos acolher pássaros, não seria nada de estranho. Sentimos que qualquer coisa pode acontecer. Qualquer coisa boa, quero dizer.
Há uma mulher a vender água de coco bem fria. Diz umas palavras, recebe dois reais ou três. Acerta com a lâmina no coco e tem todos os dedos intactos. Perguntei se algum dia deu medo. Ela diz que não. No início dava raiva, por ser lenta a servir os clientes. O tempo dá pressa ao trabalho e dá lentidão ao amor.
Fiquei a matutar nessa ideia. O tempo dá pressa ao trabalho e lentidão ao amor.
Respondi-lhe que ia anunciar a alguns homens passando que ela estava ali disponível. Ela gritou. Disponível mas em segredo, que o seu marido ainda abria coco mais certinho do que ela. Para lhe abrir a cabeça, ele precisava só de um dedo. Quando a cumprimentei com um até logo, ela murmurou: mas diz, sim, baixinho. Se for de valer a pena, a gente morre por amor.
São Paulo é um país assim. De valer a pena. Contendo tudo, os perigos enrolados nas coisas boas, as aventuras, as esperanças, a inexistência da fealdade, a sensação intensa de estarmos vivos, de termos sempre alguém. Em São Paulo temos sempre alguém. Conta-se que há maluco para tudo. Há, claramente, uma maluca para nós. Que maravilha, saber que somos sempre alguém para alguém.
Só em lugar pequeno é que há quem fique proscrito. Lugar grande absorve. Todas as pessoas renascem ao virar da esquina. Todas as pessoas renascem ao descer de um transporte público. A oportunidade de voltar a ser feliz está na base de cada instante.
Em São Paulo, todas as pessoas renascem ao virar da esquina. Isso faz-me tão bem. Gosto por de mais.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Dia 12 começa

Copa.
O mundo luta sem armas para vir.
E os 32 que conseguem, vão "se matar" por ela.
Somos os únicos Penta.
Donos da casa.
Únicos que foram em todas.
Só "os caras".
A serem batidos.
Por todos.
Se sairmos na 1a fase, e daí?
É só mais uma.
E depois vamos ainda torcer.
Pelos 2os que amamos ...
(Diga a sua seleção mais preferida depois da canarinho?).
Veremos em campo!

quinta-feira, 22 de maio de 2014