Postagem em destaque

"Concreto"

Pedra, barro, massa     Mão, calo, amassa! Levanta parede  No ar  D a hora Que se levante! Mora dentro     F ora   Vi...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Shaiene II

Ela não beijava seus "namorados".
Sempre pedia na hora do gozo que gritassem a plenos pulmões:
"Vagabunda!".
Ela só dessa forma ria. Então gritava feliz e gozava.

Historieta de bar de Minas - Shaiene I

Em Itatiaiuçu ouvi essa de Davi e Zequinha, paulistas perdidos como eu, enquanto desfrutávamos umas fichas de sinuca, "cada um mata cinco".
Chamava-se Shaiene, "namorava ambos", peões de trecho por ali, e caíra na vida. Pensava que seu nome era de indígenas locais, de quem descendia.
A tatuagem de tribal com borbetas pelas bordas, no tornozelo esquerdo, tinha no centro uma queimadura quelóidica sobre a pele escura.
Fora "ele", a quem todos atribuíam caráter angelical.
Com uma colher ao rubro e uma faca em seu pescoço, sobre a cama do casal, apagara a força e fogo, com dor intensa e recuperação lenta, o nome do ex dela que um dia gravara, muito antes, por amor.
Ato contínuo chamou um tatuador que o aguardava na porta da casa, tudo combinado de véspera.
E no braço dela o tal gravou, entre soluços da coitada: "Elder".

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Tchau

Vou dormir ou ver tv!

O contador de visitas...

...me avisou que enquanto eu escrevia alguém entrou aí!
Boa noite!

Sampa na night e conexões cearenses

Night bikers passaram pelo Arpège, enquanto bebia Serramalte gelada e fumava um Marlboro. Marlboro vermelho de maço, coisa fina!
No Vaca Véia, e em toda redondeza, os filhos diletos da burguesia com suas Triumphs caríssimas, seus carros e roupas impecáveis, e suas minas, sem contar as independentes que lutavam por subir na firma!
Andei pela Rua da Mata, Pela Antônio Felício.
E voltei para a casa que dormia no escuro.
Abri o pc e compus mais um post, um drops de mim, esse fio de contas de contos de contar como era viver aqui agora, figo maduro!
Vontade imensa de construir a cidade de Itataia, interior do Ceará antigo, siriarás seus índios, ou canto do jandoim, ou ceuro zara, ou ainda ci araã, a moléstia do calor, ou o calor da moléstia!
Ainda me pego metido no furo da mina da fazenda Itataia, deus como estou feliz de dizer que vou fundar uma cidade como meu pai (Marialva e Mariluz), meu avô (Mineiros) e meus bisavô (Uberlândia) e meu trisavô (Uberaba).
E viva Itataia!

BH

Sampa de madrugada, marginal lotada, parar no posto BR depois da ponte do Tatuapé e pegar o Osmar. Sair pela Dutra, embicar na Fernão Dias, encarar a Mata Fria e a Cantareira, deixar Mairiporã para trás, Atibaia, Bragança. Ganhar as profundas, templárias, judaizantes e jesuíticas Minas Gerais.
Coisa de iniciáticos! Cavalaria de Malta, coisa de Jorge!
Os mineiros são a maçonaria nacional, trazem tendido, exposto e desfraldado o estandarte do "oculto do mistério" que lá se escondeu, em Saint John of Latrão d'El Rey, minas ricas de ouro de lá e de Vila Rica Ouro Preto, sendo BH apenas a expressão modernista, juscelínica e niemeyrica.
Ir por Lavras, Nepomuceno, Airuoca, "São Tomé das Letras Apagadas", a industrial Betim, Gabriel Passos, de passos largos te passo até tuas ruas, Aarão Reis!
Gente: tô mineirando!

"Quando entrar Setembro...

...E a boa nova andar nos campos,
Quero ver brotar o perdão onde a gente sonhou..."
Beto Guedes

"Eu quero sair
Eu quero falar
Eu quero ensinar o vizinho a cantar
Nas manhãs de Setembro"
Vanusa (sim, a do Virumdum drogada)

"Quando setembro chegar…

Quando setembro chegar o inverno terá acabado e o amanhecer virá me acordar,
apressado.
Não mais haverá folhas secas caídas ao chão, pois as cores, antes tímidas,
voltarão em puro êxtase, bailando num festival deliciosamente provocante.

Quando setembro chegar o sol estará pleno, iluminando os mares do meu mundo.
Uma brisa suave teimará em bater de leve em meu rosto, desajeitando meus cabelos
úmidos e pesados. Um aroma antigo se fará presente, trazendo consigo a quietude
do meu ser.

Quando setembro chegar serei embalada por uma música e por alguns instantes
deixarei de respirar. Em órbita, minha razão terá sido arrancada de mim por algo
que não pretendo explicar.
Teremos tempestade. Ventania.
Um doce fechar de olhos.
Um meio sorriso preso nos lábios.

Quando setembro chegar correrei ao encontro dos sentidos. Ao abrir uma janela
descobriria um novo cheiro, ao escancarar uma porta um novo gosto. Na intimidade
de um toque, desvendaria um olhar.
Uma onda de felicidade atingirá todo meu corpo. Alegria em forma de espuma nos
pés, contentamento em forma de grãos de areia nas mãos. Não haverá nuvens no meu
céu.

Quando setembro chegar eu serei todas as estações do ano…

Ludmila Garçoni