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"Concreto"

Pedra, barro, massa     Mão, calo, amassa! Levanta parede  No ar  D a hora Que se levante! Mora dentro     F ora   Vi...

domingo, 14 de junho de 2009

A Festa da Menina Morta

O primeiro filme de Matheus Nachtergaele como diretor é competente e contundente. Não sei até onde a história é fato ou ficção, mas não importa, é uma ótima história. O "Santinho" de Daniel Oliveira está muito convincente em seus delírios violentos e ternos, em sua ambiguidade, espiritual e material, a relação religioso-sexual dele com a comunidade e o pai (o correto Jackson Antunes) em especial é de dar repugnância...embrulha o estômago, como uma boa obra de arte às vezes é capaz de embrulhar! De se notar como os gays já tinham espaços "privilegiados", mesmo em comunidades remotas... Que o diretor nos brinde com novidades em breve!

Um Homem de Moral

O documentário sobre a vida e obra do dublê de zoólogo herpetologista e compositor popular Paulo Emílio Vanzolini é um presente a nós brasileiros, e um presente em especial à cidade de São Paulo. Adoro ver filmes que retratem essa cidade. E a obra do cara (seja no Museu Paulista seja no samba) é totalmente pitoresca e "daqui".
"Reconhece a queda e não desanima..."!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Dia dos Namorados

Frio, cinza chumbo, chuva!
Dia de bolinho de chuva e café no sofá.
Dia de namorar sem pressa, dia de sonhar.
Cozinhar almocinho para mulher e filhos, um pouco de faxina (arrumei uns duzentos cedês que pediam ordem). Dia de esperar. Esperar a parada gay (nunca fui, mas parece que a festa é boa e devo ir me solidarizar com os viados). Ir jantar fora, na Rua Amaury, peixes de água doce no Siá Mariana. Dia de chocolate quente? De feijão nos potinhos para congelar e ir comendo durante a semana! Dia de Faxineira! Oba! A casa fica cheirosa, banheiros impecáveis, aspirador para tirar os pós, os prós e os contras (um pouco de barulho e falta de privacidade). Dia de se alegrar e antever nas vésperas do inverno as alegrias desse tempo feio e dos dias lindos. Sonhar quentão, festa junina de interior, quadrilha, roupas de chita, dente preto, bigode de rolha queimada, comidas de milho e de amendoim, Santo Antônio casamenteiro, São João batista, São Pedro pedra pilar da igreja católica, todo sincretismo é de Xangô, Ogum, Oxossi e Iansã...Perdi de Marília o J.J. Jackson (na verdade, na Festa da Cerejeira de Garça), mas não se pode curtir "tudo", é preciso deixar um pouquinho "pro Santo".

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Marília revisitada

Dessa vez fui de carro (na última fui de moto; acho que pela única vez). Fiz em 4 horas, média de quase 120 km/h, um recorde. Castelo todinha, Cabrália, Duartina, Marília-Bauru.
Em Marília esquadrinhei as ruas do quadrilátero central: Prudente de Moraes do Sérgio, Quatro de Abril da Orly, São Luiz, subúrbio de Tóquio, 24 de Dezembro do Camillo, Santo Antônio, Arco Verde do Moraesão, e a rua Campos Salles do João (acredita que me fugiu o nome?, demorei a o reencontrar!). Passei nas portas dessas casas, excessão da do Sérgio, como um fantasma: não bati, não apertei campainha. Quem estava??
Novos amigos: o Luca italiano, grande músico e cozinheiro, sua esposa Célia da Unesp, o Marcus Tulius tradutor do alemão da obra, entre outros, do Hans Henny Jahn.
Nem tudo são flores, aquele ranço província, a vitrolinha exibida, o irmão mal resolvido. Mas meu "paese" sobrevive bem sem mim. Minha vila, minha ilha grega perdida entre mil viagens épicas rocambolescas, meu bairro do alto da serra do interior do Peru ou de minha tribo bérbere-judia, meu condado do interior do "corn belt", minha origem, raiz, umbigo, fulcro natal do caipira, meu chapadão, espigão, sangue do Vô, das vós, do pai e da mãe, essa última por adoção e já também como página virada, talvez. A casa do irmão, que foi do pai, da mãe e nossa, deveria ser um museu de nós. E não tem Patrimônio Histórico que a defenda, país do "quero o meu", por qualquer merreca uma hora dessa será varrida para mais um arranha céu qualquer... E ainda assim aquilo continuará um "campo santo", dentro de mim haverá esses memoriais, como navios fantasmas em portos há muito vazios, mesmo que povoados por "sucessores". O que é meu ninguém tasca, e o maior patrimônio, para os como eu, é o "imaterial".

domingo, 7 de junho de 2009

"A Partida"

O filme japonês de Yojiro Takita, com o título acima, me fez rir e chorar.
Se eu te falar que o filme é sobre um ex-violoncelista de orquestra que vira "preparador de defunto", você ia dizer que não ia nem a pau num filme com essa temática.
E aí que reside a maluquice do negócio...
O filme tem uma tratativa tão interessante, associada a um certo diagnóstico dos contrastes entre Japão cosmopolita versus interiorano e vida "metropolitana" versus valores familiares milenares, que acho que ganha qualquer um (ganhou os críticos de Holywood, pois foi melhor filme estrageiro na última premiação).
E vou correndo para um mapa para ver onde fica Yamagata (personagem central, o violoncelista Daigo Kobayashi nasceu nessa prefeitura e a ela retorna depois que sua orquestra é disssolvida e ele se sente pouco talentoso para continuar disputando cargos na vida tão competitiva das grandes orquestras).
E eu, tão medroso da morte, pude vir para casa com os olhos destampados, a alma lavada e menos medo de morrer...

sábado, 6 de junho de 2009

Uruguai 0 x 4 Brasil

Estádio Centenário em Montevidéu... 33 anos sem ganhar naquele cenário desde que, em 76, Nelinho (força e precisão) e Zico (classe total) venceram barreiras e fizeram em duas faltas um 2 x 1 contra nossos "carrascos" lá na casa deles.
O jogo dessa tarde foi bonito, parecia que a maioria das coisas estava no seu lugar, o Júlio César seguro no gol, Daniel Alves e Lúcio muito corretos na defesa e o ataque, apesar de Kaká e Robinho não terem roubado a cena e Luiz Fabiano ter sido fominha em alguns lances, correspondeu ao esperado.
Se perdesse, com certeza meu sábado teria sido triste, mesmo depois da ida ao Parque da Água Branca, que está comemorando seus 80 anos.A seleção tem essa capacidade de me transformar num vencedor esportista sem levantar do sofá, tomando vinho na tarde fria.
Agora é ganhar dos "hermanos" em Buenos Aires e, Deus queira!, trazer o hexa da África do Sul. Sonhar é bom!

"Norinha"

Ontem à noite o filho de quase 16 trouxe a namorada, de pouco mais de 17 para apresentar à família.
Parecia um devoto carregando uma santa de barro! Enlaçante e cuidadoso!
Ela linda, mestiça de Sakamoto com Bagio, sushi com macarrão, mignon e falante nas respostas das perguntas que fizemos, pais de famílias interioranas, cujo sotaque ela herdou e não sumiu na fala paulistana.
A mãe, que ligou antes e depois veio buscá-la com o pai, deixou entrever a preciosidade que ela é para eles: gravidez dificilmente conseguida, filha única, estudante "perfeita" quase já dentro (posto que dedicada e preparada) de uma faculdade de Medicina!
O meu outro filho, de 12, era o mais orgulhoso de todos: via na conquista do irmão uma conquista dele próprio, saboreava antecipamente, pela vida do irmão, os desejos de felicidade e a felicidade em si que uma relação bem resolvida pode trazer aos pais e aos "pombinhos" eles mesmos.
Senti que estou quase com cinquenta anos, senti que a vida segue, senti vontade de nada mais desejar (todas expectativas sobre a vida alheia, principalmente dos filhos, é vã), mas não posso trair minha natureza. Espero tudo de bom para essas "crianças".