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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

François Hollande: de bobo, só a cara!

Nosso herói
16 de janeiro de 2014 | 2h 08 Luis Fernando Verissimo - O Estado de S.Paulo
Acho que falo por todos os gordinhos sem graça do mundo, por todos os homens por quem ninguém dá nada, todos os com cara daqueles tios que nas festas de família ficam num canto e nem os cachorros lhes dão atenção, ou fazem xixi no seu sapato, todos os que se apaixonam mas não têm coragem de se aproximar da mulher amada, quanto mais declarar sua paixão, todos os que são chamados de "chuchu", mas não é um termo carinhoso, é uma referência ao legume sem gosto, todos os sem sal, os sem encanto, os sem carisma, os sem traquejo, os sem lábia - enfim, os sem chance - do mundo se disser que o François Hollande é o nosso herói. Ele é tudo que nós somos e não somos. É um dos nossos, mas com uma diferença: no caso dele era disfarce.
A companheira de Hollande, Valerie Trierweiler, que mora com ele no palácio presidencial e o acompanha em eventos oficiais e viagens, e que também é chamada de Rottweiler pela ferocidade canina da sua dedicação ao presidente, está internada com uma crise nervosa provocada pela revelação de que François tem uma amante, a atriz Julie Gayet, com quem costuma se encontrar num apartamento perto do palácio. Hollande já teve como companheira uma das mulheres mais interessantes da França, Ségolène Royal, com quem a fera teve quatro filhos. A pergunta que se faz na França é: o que exatamente esse homem tem que explique seu sucesso com as mulheres? A questão não tem nada a ver com direito à privacidade. Trata-se de uma curiosidade científica. Se o que ele tem, e disfarça com aquela cara, puder ser reproduzido em laboratório será um alento para a nossa categoria.
E nossa admiração só aumenta com os detalhes das escapadas de Hollande. Ele vai para seus encontros com Julie numa motocicleta. O Hollande vai para seus encontros com a amante montado numa motocicleta! Pintado no seu capacete, quem sabe, um galo, símbolo ao mesmo tempo da França e do seu próprio vigor. Ainda há esperança, portanto. Se ele pode, nós também podemos. Pois se François Hollande nos ensina alguma coisa é que biologia não é, afinal, destino.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Cheiro de Mato, de Fátima Guedes

Ai, ai o mato, o cheiro o céu
Um rouxinol no meio do Brasil
O Uirapuru canta prá mim
E eu sou feliz
Só por poder ser
Só por ser de manhã, manhã, manhã
Manhã, manhã
Nessa clareira o sol
Se despe feito brincadeira
Envolve quente a todo ser vivente
Taperebá
Canelada, tapinhoã, nã nã não nã
Não faço nada
Que perturbe a doida a louca passarada
Ou iniba qualquer planta dormideira
Ou assuste as guaribas na aroeira
Encontra ponto com pardais urbanos
Tão felizes soltos dentro dos meus planos
Mas boquiabertos que os meus vinte anos
Indóceis e livres como eu

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Classe Média, de Max Gonzaga

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal

Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio "coletivos"
E vou de carro que comprei a prestação

Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote CVC tri-anual

Mas eu "to nem ai"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "to nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera

Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão

O pára-brisa ensaboado
É camelô, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol

Mas se o assalto é em Moema
O assassinato é no "Jardins"
A filha do executivo é estuprada até o fim

Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal

E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal

Porque eu não "to nem ai"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "to nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera

Eu quero é que se exploda a periferia toda

Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta

Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida

Não confiem em tudo que lêem num blog

Blog de impostor originou notícia falsa de tio de Kim 'comido por cães'.
História sobre Coreia do Norte surgiu na internet por impostor que se passa por blogueiro chinês.
Ver em http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/01/blog-de-impostor-originou-noticia-falsa-de-tio-de-kim-comido-por-caes.html
Obrigado, Clóvis Marques Guimarães Júnior!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Por que me ufano (ou contra a sinistrose)

Lendo o Caderno E&N (Economia e Negócios) do Estadão de hoje com olhos dilmistas:
Produção de carros bate recorde histórico em 2013 com 3,74 milhões de carros produzidos.
As vendas de carros no mercado interno foram estáveis em relação a 2012 (3,77 milhões de unidades) e essas tem uma boa parte de automóveis importados. As exportações de veículos atingiram recorde histórico em valor de US 16,6 bi (apesar de em volume, com 411 mil unidades, estarem bem abaixo do recorde de 2005, com 724 mil unidades).
Depósitos em Poupança tem recorde e capta R$ 71 (não tinham atingido R$ 50 bi em 2012).
Petrobrás investiu R$ 20 bi para produzir gasolina com menor teor de enxofre (dita S-50 por ter teor menor que 50 ppm de S).
Exportações batem recorde (em US$ 242 bi).
E por aí vai. Não é questão de usar óculos cor de rosa, mas não dá para tratar o ano como “o pior desde x anos atrás”!

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Diário Esporádico: 6 anos de confissões, invenções e outras cositas más

Desde 1985, lá no já afastado tempo do curso universitário em Campinas (depois de uma temporada paulistana entre 82 e 84), escrevo diários. Continuei os escrevendo em Marília (entre 85 e 86), novamente em Campinas (entre 86 e 90), em Cajati (de 1990 a 2005), em Sampa (de 2006 a 2008), em El Jadida (2008 e 2009) e depois entre Sampa, Suzano e Cubatão.
Tenho alguns milhares de páginas escritas à mão e umas centenas à máquina.
No fim de 2007 dei um "salto tecnológico" e passei a editar esta versão digital, o tal "blog".
(Blog é uma palavra que resulta da simplificação do termo weblog. Este, por sua vez, é resultante da justaposição das palavras da língua inglesa web e log. Web aparece aqui com o significado de rede (da internet) enquanto que log é utilizado para designar o registro de atividade ou desempenho regular de algo, um "relatório", no caso da minha vida. Numa tradução livre podemos definir blog como um diário "online".)
Com 3.400 "posts" (uma "postagem", a "unidade" de medida de escrita do "blogspot", algo que varia entre algumas linhas ou algumas páginas), esse blog já deve estar chegando a um milhar de "páginas" (uma página tamanho "A4", ou uma página "de livro"). E tenho plena certeza, como qualquer "artista" que 90% é lixo descartável, rascunhos, provas, ensaios...
Revendo o trilhado, vejo o quanto essa atividade me agrada.
Pensei até em transformá-la em profissão. Mas entre o "feijão" e o "sonho", calejado com o insucesso econômico de tantos conhecidos, optei por ter uma carreira segura e levar como "hobby" essa "literatura" (que nunca passou de contos curtos, pequenas crônicas e alguns poemas; ainda chegarei a contos mais robustos e novelas; não sei se o romance é para mim).
Claro que tive meus momentos ruins com isso.
Já me acusaram de ter uma síndrome de "Luana Piovani" (sem ser conhecido como ela).
Sei que "caiu na rede é público".
Mas como em todo "diário secreto" (e esse é "público"!), fiz as besteiras clássicas: ser sincero ao ponto do "sincericídio", mostrar intimidades para pessoas erradas, escrever bêbado ou sob fortes emoções.
Todos sabemos que a transparência é tida como ingenuidade, que a hipocrisia é uma grande virtude social e que a cabeça quente ou "vaporizada" é a pior conselheira.
Ficaram putos por exemplo por eu ter chamado um ex colega de "enrustido".
Falei pataquadas ou belas verdades (não importa) sobre pessoas que não devia.
Recentemente feri a memória de um ente querido, o que resvalou nos seus.
Fiz piadas de bom e mal gosto sobre todo tipo de assunto, até os mais funestos.
Até hoje minha maior audiência (14 mil visualizações em um mês) foi por eu ter feito pilhéria com a morte do jornalista português Carlos Castro.
Às vezes fui mal criado, falastrão, fanfarrão, inconfidente e, para alguns, calhorda.
Mas também fui feliz: quantas e quantas noites, manhãs e tardes eu corria "para cá" feliz (e esse "cá" era o mundo todo: nunca tive conexão móvel; sempre me vali fora de casa de conexões do trabalho, de hotéis, da casa de amigos ou em "lan houses") e aqui "descarreguei" no sentido mais umbandístico possível os "espíritos" (santos ou de porco) que se incorporam nesse "cavalo" quando escrevo.
Alguns grandes amigos não o suportam.
Algumas pessoas queridas dizem que curtem.
Desconhecidos "passam" sem eu saber.
Alguns amigos e conhecidos (ou não) dão um alô nos comentários.
Não sei quanto isso dura, não sei se alguém um dia vai coletar o aproveitável (tenho plena confiança no meu pendor literário). Escrever é preciso e perigoso, como viver, como já disseram o Rosa e o Pessoa (esse também disse que viver não é preciso).
Não sei se alguém vai dizer algo de bom sobre esse ser que, com todos ônus e bônus dessa atividade, se expressa, reflete, desnuda a alma.
Só peço, que a bem da verdade humana, não tomem a parte pelo todo.
Tentem ver os anjos e demônios de um ser integral.
Posso não ser muito bonito, mas esse sou eu e me forço (e a mais ninguém) a gostar de mim!
Acho que, como a tevê, o rádio ou o cinema (entre outros "veículos") vem quem quer: se não gostar do que vê é só "trocar de canal"!
E lembrem-se: há pelo menos a coragem do escancaramento total, estou aqui na vitrine!
E se tenho ideologia e paixões, elas são passíveis de revisão, minhas faltas podem pedir desculpas, meus paradigmas estão abertos às mudanças de idéias, sou capaz de análise de dados e fatos, tenho amor à verdade e posso fazer correções de rota e tirar novas e diversas conclusões.
Quem fica parado é poste, a dúvida é saudável e a mudança é o mais constante na vida.
Abaixo a censura: deixem-me "botar a boca no trombone"!
Como filho de 64, quero que os totalitarismos sejam vencidos, quero ter liberdade de opinião e expressão, quero um novo socialismo democrático e meritocrático, onde ser seja mais importante que ter, compartilhar seja mais importante que competir e haja lugar para todos seres bons e do bem.
E aí sou como um cão tinhoso: não vou largar esse osso.
Que venha o sétimo ano e mais 7 anos!

domingo, 5 de janeiro de 2014

Cabeça do Ano

2014!

Uma chuva ainda não copiosa se ensaiava.
Intuía-se que ia engrossar, crepitando no solo e nas lages e tetos.
Instilando um frescor que há dias não se sentia.

Caminhei até o Pão de Açúcar da Gabriel.
Trouxe cerejas, romã, bacalhau para depois.

Assar! Batatas, azeite, alhos, cebolas.
Ovos, azeitonas.
Regar com ervas frescas ao servir.

Tiro o lixo.
Lavo e sirvo as frutas.
Escrevo e ligo para os amigos.

Acendo uma vela e oro.

Pelo bem de todos.