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"Concreto"

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Ânsia

Queria ser leão ou leoa
Para esmagar pescoço de gazela
Queria ser garanhão ou égua
Selvagem que ele cobre

Queria ser águia ou condor
Pairando sobre os Andes
E descer rapace no borrego
Cravando fundo as unhas

Queria ser Rei do Marrocos
Obama, Dilma
Ou Cristina Kirchner

Mas sendo apenas eu
Carrego aqui em mim
Todas as possibilidades!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A Feira (ler como se fosse "A Banda"...)

Não estava à toa na vida
Meu egô me chamou
Prá ver a feira e passear
Cantando coisas de amor

A moça bela que lavava janela
Se abriu
E percebeu que eu
Olhava prá ela
E sorriu

A tia nordestina da faxina
Sonhou que eu era o
Seu doutor

A gatinha ia pro colégio
De leg
O judeuzinho ia arrumado
De terno e quipá
Os porteiros e os passeadores de cachorro
Desciam da Paulista
Onde tinha um mar de gente e carros

O velho feio que vivia trancado em mim
Saiu
E descobriu que era cedo prá ficar no cansaço
E correu
Batendo pernas por minha cidade

Fiquei pensando, vendo a feira de quinta
Que "A Banda" tocava prá mim!

Bêagávamos

Ia prá BH num dia e voltava no seguinte.
A terceira maior cidade do Brasil se me dava assim como uma qualquer em noite de hotel.
Não casávamos, nem amasiávamos.
Mas isso, essas visitas de médico, já me instilava uma mineirice.
Chefe de Ipatinga, amigo de Monte Carmelo, os demais do Triângulo, os outros paulistas e paranaenses, congregados com meu amigo inglês...
Já alguns moçambicanos havia visto, mas os intuía aos milhares em Tete, Moatize, Cateme, Monapo e Nacala!

Maritaquinhas

Um enorme bando de maritacas gritava sobre duas jaboticabeiras numa casa ao lado da Sociedade Harmonia de Tênis.
Fiquei, meio na contraluz da aurora, olhando os casizinhos e familhinhas emplumiverdes.
Gritapiaolhavam me apressadinhos pelos galhos descascantes e eu retribuía todo desapressado, dia de tomar notas.
Depois, em outra parte do caminho, papagaios grandes "conversavam" e um grande louro, no mais alto de uma copa mais alta, "falava" com jeito de menino aprendendo a elaborar frases...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Mais um filho do Holocausto

Chama-se Gregório de Leão. Filho de russos, o pai cristão ortodoxo lhe deu o nome que homenageia os patriarcas. Pai e mãe já tinham fugido da revolução comunista. Ela, judia, se formou médica na Polônia, ele engenheiro na Lituânia.
De uma forma bizarra (quase toda história de amor tem bizarrices) seus pais se conheceram, se casaram, tiveram o pequeno Gregório em Zagreb, na Croácia, e, com os nazis nos calcanhares, foram participar do movimento sionista no recém fundado Estado de Israel, a pedido dela.
Uma mão na frente e outra atrás. Mas cinco anos em Israel (foram alguns meses numa barraca em Nethania e mais de 4 anos numa casa arranjada junto à Igreja Ortodoxa em Jerusalém) foram um impulso para virem para essa terra ao sul do Equador. Chegaram aqui em 53 e moraram alguns meses de favor com um primo amigo da Croácia no Tucuruvi e depois, os pais já recolocados, perto do Largo do Arouche.
Teve uma vida boa, trabalhou e trabalha em boas empresas. Inteligente, fala um croata correto, russo, inglês, espanhol, português e hebraico. Encontrou uma baiana dulcíssima e teve duas filhas lindas.
De vez em quando chora quando pensa nos parentes mortos em campos de concentração.
Já vai para os setenta e começa a pensar em encontrar Jesus Cristo ou Javé, pois nunca soube o quanto era judeu ou cristão...

Eleição vem chegando e a gente se lembra de alguns vilões...

Xô zica do Paulo Maluf (retratado como Coringa pelo Eduardo Amorim Nunes; VAleu Cris Carnelós).
E o Serra Nosferatu, meio gay:
E do Celso Russomano, (adivinha acompanhado de quem?):
É por isso que eu vou votar nesse daqui:
E VIVA O FERNANDO HADDAD!

Antisemitismo? Anti Imperialismo?

Valeu Sérgio!